Capacitação dos cobradores: o que diz o acordo. Saiba mais

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Salários atrasados, fim da assistência médica e falta de proposta salarial aumentam indignação entre trabalhadores

Salários atrasados, fim da assistência médica e falta de proposta salarial aumentam indignação entre trabalhadores

A crise no transporte coletivo parece estar longe do fim. Até hoje cedo, ainda não há perspectiva de pagamento dos salários em dia por parte de diversas empresas: o vencimento deve ser pago no quinto dia útil do mês (6), ou seja, amanhã. Na área de saúde, também não houve qualquer busca das empresas em resolverem o problema da suspensão de mais de mil exames médicos da Assistência Médica de 12 mil trabalhadores – o sistema foi suspenso na semana passada por falta de pagamento das empresas. A negociação salarial também não tem avanços: até o momento, o setor patronal não concretizou nenhuma proposta de reajuste e sequer garantiu a data-base para 1º de fevereiro. Tudo isso tem feito com que aumente a indignação entre os trabalhadores.

Reivindicações da campanha salarial

A pauta de reivindicações da categoria solicita reajuste integral do INPC mais aumento salarial de 6,40%, o que totaliza aproximadamente 12,80%; aumento no cartão alimentação, com equiparação aos valores pagos aos funcionários da URBS que atuam no transporte coletivo; contratação de seguro de acidentes; estabelecimento de multa equivalente a R$ 100,00 por dia para cada funcionário, caso não haja o pagamento do adiantamento salarial; adequação das estações tubo para garantir condições dignas de trabalho no frio e no calor; e fim da obrigação de motoristas e cobradores inibirem crimes nos ônibus, considerando que isso é dever de policiais ou guardas e tem sido causa de graves agressões aos trabalhadores. Na primeira reunião de negociação, na Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), na última segunda, as empresas não levaram nenhuma proposta.

Motoristas e cobradores representam menos de 23% da tarifa

Levantamento realizado pelo Sindimoc aponta que, bem diferente de informações distribuídas pela Prefeitura, motoristas e cobradores representam menos de 23% da tarifa cobrada no transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana. No percentual de 48% da tarifa (que o Executivo Municipal insiste em atribuir exclusivamente a motoristas e cobradores) estão incluídos três mil trabalhadores do setor de escritório e manutenção do transporte coletivo, com salários que variam de R$ 1 mil a R$ 9 mil, mais gerências com salários de R$ 15 mil a R$ 20 mil e, principalmente, mais de 100 diretores com vencimentos, em média, de R$ 45 mil, geralmente familiares dos donos das empresas. Só em diretores de alto escalão (diretorias geral, operacional e financeira) são cerca de R$ 4,3 milhões mensais que saem da tarifa, praticamente o mesmo valor que paga o salário de todos os cobradores de Curitiba e Região Metropolitana. “Não podemos deixar de apontar esses números que, sistematicamente, vêm sendo omitidos pela Prefeitura”, aponta o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região (Sindimoc), Anderson Teixeira.  

Salários de motoristas e cobradores de Curitiba não são os maiores entre as capitais

A campanha da Prefeitura de Curitiba contra os trabalhadores do transporte coletivo tem propagado algumas inverdades. Dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostram que capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Manaus possuem salários superiores aos de Curitiba. A Prefeitura joga com a carga horária menor em Curitiba (de seis horas), mas desconsidera o fato de que na realidade os trabalhadores, em mais de 70% dos casos, ficam à disposição das empresas mais de nove horas por dia, pois as escalas são feitas em turnos de três horas com intervalos de três horas, impossibilitando o efetivo descanso entre os dois períodos de trabalho.

Nova tarifa

A nova tarifa de Curitiba também está entre as mais caras do Brasil. Em diversas cidades, as tarifas são mais baixas e, ao mesmo tempo, os salários são maiores que na capital paranaense. Veja a tabela detalhada:

Cidade

Piso Motoristas

Piso Cobradores

Tarifa

São Paulo

R$ 2.151,40

R$ 1.244,20

R$ 3,00

Porto Alegre

R$ 2.007,82

R$ 1.206,26

R$ 2,95

Brasília

R$ 1.926,48

R$ 1.007,21

R$ 2,00, R$ 1,50 e R$ 3,00

Manaus

R$1.920,75

R$ 960,37

R$ 2,75

Curitiba

R$1.814,93

R$1.028,10

R$ 3,30 e R$ 3,15

Fonte: NTU – Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano

Outras cidades do Paraná também têm comprovado a franca possibilidade de se manter tarifas baixas e salários dignos. Londrina, Pato Branco e Dois Vizinhos, por exemplo, possuem remunerações maiores que a capital, para motoristas e cobradores, mas mantêm tarifas muito inferiores. Veja a tabela detalhada:

Cidade

Salário Motorista

Diferença em relação ao de Curitiba

Salário Cobrador

Diferença em relação ao de Curitiba

Tarifa

Diferença em relação à tarifa de Curitiba

Londrina

R$ 1.995,37

9,94% maior

R$ 1.234,74

20,09% maior

R$2,65

19,7% menor

Pato Branco

R$ 1.842,80

1,54% maior

R$ 1.105,20

7,49% maior

R$2,60

21,3% menor

Dois Vizinhos

R$ 1.980,00

9,09% maior

R$ 1.000,00

2,81% menor

R$2,05

37,9% menor

Fonte: Fetropar

Reajuste salarial

Em nota do seu site, a Prefeitura de Curitiba afirma que “nos últimos três anos, a categoria recebeu aumentos médios de 10%”. Além da inverdade, oportunamente, a nota também omite as perdas que os trabalhadores tiveram nos anos anteriores. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os salários de motoristas e cobradores sequer acompanharam a inflação de 2003 a 2010. No período, houve PERDA REAL de - 4,05% no salário de cobradores e - 1,43% no salário de motoristas.

A partir de 2011, com as constantes reivindicações e manifestações da categoria, motoristas e cobradores tiveram aumentos de 3% a 4% ao ano, totalizando, entre 2011 e 2014, 16,25%  de aumento para cobradores e 16,38% para motoristas.

 

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